Um estudo científico recente, noticiado pela SIC Notícias, analisou familiares diretos de pessoas com Doença de Crohn que, no momento da recolha das amostras, ainda não apresentavam sintomas nem diagnóstico. O objetivo foi perceber se existiam alterações no sistema imunitário antes do aparecimento da inflamação intestinal.
Os investigadores observaram que algumas destas pessoas já apresentavam níveis elevados de anticorpos contra determinadas bactérias da microbiota intestinal. Estas bactérias fazem parte da flora intestinal normal e não são patogénicas. O que se destacou foi a forma como o sistema imunitário reagia a elas.
As respostas imunitárias estavam dirigidas a uma proteína específica chamada flagelina, presente em várias bactérias intestinais. Em muitos participantes, os anticorpos reconheciam a mesma região dessa proteína, o que sugere um padrão comum de resposta imunológica associado ao risco de desenvolver Doença Inflamatória do Intestino (DII).
Importa sublinhar que, no momento da análise, estas pessoas:
• Não apresentavam sintomas digestivos
• Não tinham diagnóstico de Doença de Crohn
• Não mostravam sinais de inflamação intestinal ativa
Os resultados indicam que, em alguns casos, o sistema imunitário pode começar a reagir de forma diferente anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas da Doença de Crohn.
Este estudo não permite prever com precisão quem irá desenvolver a doença, nem constitui um método de diagnóstico precoce. No entanto, contribui para uma melhor compreensão dos mecanismos iniciais da Doença de Crohn e reforça a ideia de que se trata de um processo gradual e silencioso.
A Associação Crohn Colite Portugal acompanha e divulga investigação científica sobre as Doenças Inflamatórias do Intestino, promovendo informação rigorosa, combate ao estigma e maior literacia em saúde para pessoas com DII, familiares e cuidadores.


